Festas Populares do Maranhão   Festa do Cordão de Reis  
       
 Conheça as Festas Populares do Maranhão  
 
Cordão de Reis.
É uma festa realizada na véspera e dia de Reis (6 de janeiro) e retrata a visita dos três reis magos ao Menino Jesus. Na capital, a brincadeira é conhecida como "Reis", mas em outros municípios do Estado recebe a denominação de Reisado, a exemplo do Careta, de Caxias, com variação na roupa, nas personagens, nas músicas e na forma de apresentação. No Reis, o cordão é formado por duas fileiras de moças e senhoras com castanholas, tendo como personagens principais o rei e a rainha. Alguns grupos possuem dois reis e duas rainhas e acrescentam outros personagens, como anjos, lua e estrela.

Nos dias de apresentação, o cortejo sai para visitar as casas das localidades à qual pertence o grupo, acompanhado de uma pequena orquestra de saxofone, banjo e tarol, com o acompanhamento dos pandeiros dos membros dos cordões.
Em São Luís, as festas de Reis se concentram mais na zona rural, sendo a mais conhecida a realizada na localidade Maracanã, onde há três grupos de Reis: Alecrim, Sempre Viva e Nuvens. Acredita-se que o primeiro Cordão de Reis no Maracanã foi criado por volta do século XIX, por Bento Barbeiro e sua irmã Inhá Rita (Mãe Rita, segundo a memória oral).

Esse grupo deixou de existir por certo tempo, até que o "Reis do Alecrim" foi criado em 1936 como continuação do antigo Reis do Maracanã, por Honorato Santos, Hernesto, Maurício, Dimpa e Hermínio. De Maurícia a manifestação passou às mãos da sobrinha, Nilza, e seu marido, Ezequiel e atualmente está sob a responsabilidade de Honorina Algarves. Além dos grupos do Maracanã, a festa é realizada, também, em Porto Grande e Tajaçoaba, no interior da ilha de São Luís.

Pastores ( Festa do Ciclo Natalino )
Pastor é um auto natalino onde são reproduzidas cenas que lembram o nascimento do Menino Jesus. O auto é dividido em três atos: a anunciação, quando o anjo Gabriel anuncia o nascimento do menino Jesus a Maria; a romaria , quando os pastores se reúnem, guiados pela estrela de Belém, para visitar o menino; e a adoração, momento em que os pastores chegam a Belém para adorar o menino que nasceu. Do auto, participam meninas na faixa etária de 7 a 17 anos, representando os papéis dos pastores, em geral, em torno de 30. No primeiro ato a cena é protagonizada pelos personagens Maria, José e o anjo Gabriel, que anuncia a gravidez de Maria.

Do segundo ato, são destaque as personagens: estrela, pastor guia, pastores mestres, pastora perdida, pastorinhas, ciganas pobre e rica, florista, espanholas, portuguesas, galegos e matutos, dentre outros. O terceiro ato reúne personagens dos atos anteriores. É quando os pastores chegam a Belém para visitar o menino Jesus, cercado por Maria, José e o anjo. Esse ato reproduz um presépio vivo. Com variação de forma e de personagens, o auto natalino é apresentado em outros estados do Brasil. No Maranhão, é revivido sob a forma de pastor ou pastoral com poucas diferenças. O pastor é uma festa com fortes raízes no catolicismo popular, originada na Europa e trazida para o Brasil pelos colonizadores, onde ganhou novos elementos, mesclando canto, dança e a dramatização.

Uma pequena orquestra, composta de clarinetes, banjo, violão, viola, violino, saxofone, trombone e flauta, dá o tom da brincadeira, tendo o acompanhamento de pandeiros e castanholas, tocados pelas pastoras. Os autos natalinos são encontrados com maior freqüência nos municípios de Mirinzal, Guimarães, Humberto de Campos, Alcântara e São Luís. Os grupos de pastor iniciam as apresentações na noite de 24 de dezembro prolongando-se até o dia 6 de janeiro.

Tambor de Mina.
O tambor de mina é o termo pelo qual é conhecida a religião que os descendentes de negros africanos de origem jeje e nagô trouxeram para o Maranhão. É uma manifestação da religiosidade popular especificamente maranhense que tem lugar em casas de culto conhecidas como terreiros. É uma religião de possessão, onde os iniciados recebem entidades espirituais cultuadas pelo seu pai de santo em rituais conhecidos como tambor. Nos rituais são utilizados instrumentos como tambores, cabaças, triângulos e agogôs. Mediante o toque dos instrumentos, os iniciados, em grande parte mulheres, vestidas com roupas específicas para o ritual, dançam e incorporam as entidades espirituais.

Em São Luís, duas casas de culto africano deram origem a esta forma de manifestação da religiosidade dos negros: a Casa das Minas e a Casa de Nagô. A Casa das Minas foi fundada por negras trazidas do reino do Daomé (hoje Benim), habitado por negros Mina. Nesse terreiro são recebidas entidades espirituais denominadas voduns. A Casa de Nagô, também fundada por descendentes de africanos, deu origem aos demais terreiros de São Luís, onde são recebidas entidades caboclas de origem européia ou nativa.

Festa do Divino Espirito Santo.
A festa do Divino Espírito Santo, que relembra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, é uma das mais expressivas festas do calendário cultural e religioso do Maranhão, principalmente no eixo São Luís-Alcântara. Originada em Portugal, com a construção da Igreja do Espírito Santo em Alenquer, no século XIII, por ordem da rainha Dona Isabel, a festa chegou ao Brasil no século XVI com os colonizadores.

Em São Luís, é muito valorizada nos terreiros de mina, enquanto em Alcântara se caracteriza como uma festa tipicamente católica, sendo muitas de suas cerimônias realizadas na igreja local. É realizada no mês de maio, no Domingo de Pentecostes, mas desde o Sábado de Aleluia os festeiros começam a se preparar para o grande dia em que o imperador recepciona seus convidados com um almoço e farta mesa de doces.



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